05 MOTIVOS PARA VISITAR E VIVENCIAR A CHAPADA DIAMANTINA

Identificada como um extenso altiplano que compõe a unidade geológica denominada Serra do Espinhaço, constitui a Chapada Diamantina uma imponente cadeia de montanhas com altitude média entre 800 e 1.200 metros acima do nível do mar, abrangendo uma área de aproximadamente 40.000 km², o que corresponde a 20% do estado da Bahia. Dentre seus inúmeros picos, destaca-se o Pico do Barbado, ponto de maior altitude do Nordeste, com 2.033 metros de altura. A região é comparável, em tamanho, com países como o Haiti e a Holanda e é tida como um Oasis no meio do sertão nordestino. No total, o território chapadino abrange 58 municípios e é a sede do segundo maior parque nacional do Brasil, criado em 1985. A história da região é marcada pela descoberta de ouro e diamante no século XVIII, quando ocorrera uma invasão colonizadora e escravocrata que, mais tarde, perdeu espaço para o Coronelismo. Nessa época, a maior riqueza chapadense era também a maior riqueza do Brasil o “ouro verde”, o café. Muitas das cidades e vilas da Chapada Diamantina guardam, ainda hoje, em seu casario e em suas ruas, a lembrança daqueles tempos.

Por tudo o que essa linda região tem a oferecer, listamos 05 motivos para incentivar você a visitar e vivenciar a Chapada Diamantina. Confira a seguir!

Vista para o Pico do Barbado. | Foto: Estradas e Trilhas | Site: http://estradasetrilhas.com.br/

01 – É UM PATRIMÔNIO NATURAL

Considerada uma das regiões mais bonitas do Brasil, a Chapada Diamantina, local em que antes existia mar, encanta em cada detalhe: seja pelos rios margeados por pedras polidas naturalmente pelas águas, altas cachoeiras caindo das serras, com suas águas variando dos tons mais claros aos mais escuros – dentre elas, destacamos a Cachoeira da Fumaça, segunda maior do Brasil, com uma queda d’água de 340 metros de altura -, grutas extensas, lagoas de água cristalina, vales e campões, profundas fendas e depressões, ainda que esteja inserida no semi-árido baiano.

Vista do alto do Morro do Pai Inácio. | Foto: Mayara Castro

 

Cachoeira da Fumaça. | Foto: Mayara Castro

 

Flutuação na Gruta da Pratinha. | Foto: Débora Castro

02 – É UMA REGIÃO PROVEDORA DE ÁGUA

Em se tratando da hidrografia, a Chapada Diamantina é provedora de água para grande parte do estado da Bahia. Ela se caracteriza pela presença de rios que formam e alimentam grandes bacias estaduais, como o rio Jacuípe, Rio de Contas, rio Itapicuru, além do rio São Francisco e rio Paraguaçu, este último sendo o maior rio totalmente baiano, com mais de 600 km de extensão. Esses rios, que percorrem extensas áreas de caatinga, têm grande importância para as atividades sociais e econômicas, sendo uma redenção para a população do semi-árido.

Canoagem no Rio Preto – Mucugê | Foto: Thais de Albuquerque

03 – POSSUI UM VARIADO ECOSSISTEMA

Em virtude da aproximação de Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Campos Rupestres, a Chapada Diamantina abriga uma infinidade de espécies vegetais e animais. Nas regiões de até 1.000 metros de altitude e de longa estiagem de chuvas, predomina uma vegetação de baixo porte, como arbustos, além de cactos e bromélias. Nos campos gerais, área de planícies mais altas, nota-se uma vegetação gramínea e pouquíssimas árvores. Já na área de vegetação característica do Cerrado, é possível observar algumas poucas árvores altas, de casca grossa e galhos tortuosos.  Nos vales mais profundos e nas encostas mais protegidas das serras, onde devido à presença de minadouros de água, neblina e cerração, há umidade mais constante, desenvolvem-se florestas densas e praticamente intactas, possibilitando o desenvolvimento de espécies encontradas na Mata Atlântica, como as palmeiras fornecedoras de palmito. Sempre-vivas, begônias, orquídeas e bromélias compõem a formação vegetacional típica da região, formando paisagens de tirar o fôlego. Berço de mais de 300 tipos de aves, como o Carcará, o Saíra-Azul e o Beija-flor-gravatinha-vermelha, a Chapada Diamantina também abriga diversas espécies de mamíferos, como o Tamanduá-mirim e o Mico-estrela, além de inúmeros animais de sangue frio, sendo eles lagartos e cobras.

Saíra Azul | Foto: Roberto Rodrigues

 

Orquídea. | Foto: Débora Castro

 

Cobra Coral | Foto: Clara Pires

 

Beija-flor gravatinha-vermelha | Foto: Thalison Ribeiro

 

Bromélia Rio-De-Sol. | Foto: Alex Uchoa

 

Tamanduá-mirim. | Foto: Roberto Rodrigues

04 – TEM UMA RICA HISTÓRIA MARCADA PELO GARIMPO

Dentre as inúmeras expedições realizadas por colonizadores portugueses em busca de riquezas mineirais, tiveram destaque aquelas ocorridas no meio do século XVIII e durante o século XIX, por meio da exploração de ouro e diamante, na Bahia e em Minas Gerais, que ficaram posteriormente conhecidas como dois grandes ciclos econômicos e sucessivos – O Ciclo do Ouro e do Diamante. Na Bahia, a atividade garimpeira teve importante papel social, político e econômico, com a expansão demográfica e o povoamento do interior do estado. Na Chapada, a descoberta dos diamantes provocou um fluxo migratório sem precedentes, oriundo de importantes centros urbanos, como Diamantina e Serro, em Minas Gerais. Em 1732, já era de conhecimento da Coroa a existência de diamantes em Jacobina, interior da Bahia, porém, a exploração de diamantes no estado só teve seu início em 1844, na região de Mucugê, nos aluviões dos rios da bacia do Paraguaçu, que mais tarde veio a se tornar o maior centro de mineração diamantífera da Bahia. A partir de então, houve uma corrida sem precedentes em direção às lavras de diamante. Calcula-se que a região recebeu em torno de 25 mil pessoas, aglomeradas em povoados, que mais tarde vieram a transformar-se em vilas e municípios, partindo de Mucugê até Rio de Contas e Caetité, ao Sul. Ao Norte, foram criadas povoações como Xique-Xique (Igatu), Andaraí e Lençóis, até chegar a Morro do Chapéu, definindo-se, dessa maneira, a região hoje conhecida como Chapada Diamantina. No ano de 1905, foi encontrado, na cidade de Lençóis, o maior diamante carbonado registrado na história, pesando 3.167 quilates. A herança deixada pela mineração na Bahia se constitui em um rico patrimônio urbanístico, com seus casarios e ruas de pedras ainda preservados e uma sociedade com forte tradição cultural, advinda de desbravadores aguerridos e destemidos e de coronéis que impuseram a ordem política e de justiça local. Hoje, os turistas podem visitar o Museu do Garimpo, localizado no km 92 da BA-142, mesmo local da sede do Projeto Sempre-Viva ou, no km 93,5, uma “toca”, que é uma antiga moradia de garimpeiros preservada, com exposição de objetos antigos, como máquinas de lapidação e uma réplica do maior diamante encontrado na Chapada Diamantina.

 

Garimpo em Lençóis. | Foto: Acervo Histórico

 

Garimpo em Lençóis. | Foto: Acervo Histórico

 

Toca de Garimpeiro em Igatu. | Foto: Guia Chapada Diamantina

05 – É UM DESTINO REFERÊNCIA NO TURISMO DE AVENTURA

A Chapada Diamantina é um dos melhores lugares do mundo para o turismo de aventura. O Parque Nacional foi criado em 16 de Setembro de 1985, com uma área de 1.500 km², abrangendo os municípios de Andaraí,  Ibicoara,  Iramaia,  Itaetê,  Lençóis,  Mucugê e Palmeiras, com o objetivo de preservar ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando ainda a pesquisa científica e educação ambiental. Ele é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade. Dentro do parque e em seu entorno, são encontrados diversos atrativos naturais, o que permite a prática de modalidades como escalada, rapel, tirolesa, caminhada, trekking (trilha com pernoite em abrigo ou camping), flutuação, mountain bike, canoagem, Stand Up Paddle, Birdwatching (observação de aves), arvorismo, Bungee Jumping e passeio de quadriciclo. Alguns dos principais atrativos são: o Morro do Pai Inácio, com 1.200 metros de altitude, vista panorâmica e ponto de contemplação de um belíssimo pôr do sol; o Poço Azul, uma caverna inundada por água de um tom azul fascinante, onde é permitido fazer flutuação; a Cachoeira do Buracão,  uma queda d’água de 90 metros de altura entre paredões rochosos, na qual é possível chegar até o poço nadando contra a correnteza, com o uso de colete salva-vidas ou se agarrando pelas pedras nas paredes do cânion. Para visitar a Cachoeira é obrigatória a contratação de um guia local de Ibicoara. A Gruta da Lapa Doce, com 24 quilômetros, é a quinta maior caverna do Brasil. Considerado um dos trekkings mais bonito do país, a travessia do Vale do Pati liga o Vale do Capão à Andaraí e soma em torno de 70 km, que podem ser percorridos em percursos de até 6 dias. Com altitudes que chegam a 1.400 metros, revela paisagens panorâmicas cercadas por grandes platôs, morros e vales, com inúmeras cachoeiras. Os pernoites são feitos nas casas de nativos, onde também são servidas refeições tipicamente caseiras.

A Chapada Diamantina é um lugar de autoconhecimento e contemplação, aventuras e descobertas, de riquezas naturais e culturais. Aqui, você irá se desconectar da rotina, praticar atividades ao ar livre, se deslumbrar com espécies raras de plantas e animais, desfrutar de uma culinária diversificada, vivenciar experiências únicas e transformadoras, se superar, além de expandir seus horizontes e garantir boas histórias para contar. Agora, você tem motivos de sobra para visitar a Chapada Diamantina!

Morro do Pai Inácio. | Foto: Mayara Castro

 

Poço Azul. | Foto: Mayara Castro

 

Cachoeira do Buracão. | Foto: Divulgação – BoqNews

 

Gruta Lapa Doce. | Foto: Mayara Castro

 

Trekking do Vale do Pati. | Foto: Branco Pires

 

Gruta do Castelo no Vale do Pati. | Foto: Alex Uchoa

 

Cachoeirão no Vale do Pati. | Foto: Terra Chapada Expedições

 

Casa de Seu Wilson no Vale do Pati. | Foto: Caiã Pires